Viagem no tempo e no espaço, Caderno de um regresso ao país natal põe em cena um ne-gro, um homem, o homem, em ruptura consigo mesmo, exilado na solidão do seu ser, às portas do bramido irreversível, que faz a travessia do regresso ao seu país natal, quer dizer, à sua humanidade.
A língua de Aimé Césaire pede para ser dita na mesma medida em que é feita para ser ouvida. Uma poesia viva, rica, luxuriante e ao mesmo tempo precisa, cortante, mesmo quando procura surpreender-nos pela inventividade da sua música. Porque, aqui, o inventor é um génio.
Aimé Césaire (1913-2008) publicou aos 26 anos o seu Cahier d’un retour au pays natal, o primeiro de uma série de escritos que haviam de fazer dele um dos maiores poetas de língua francesa do século XX.
Este poema tornar-se-ia também um texto fundamental como símbolo do orgulho e da dignidade recuperada dos povos negros em todo o Mundo. Poema firmemente enraizado na realidade social, histórica e geográfica das Antilhas Francesas de entre as duas guerras, uma época em que a França e a Europa em geral reinavam como senhores dos seus impérios coloniais, nomeadamente em África e nas Antilhas.
Nessa época, as teses racistas de Gobineau, diplomata e escritor francês, alimentavam a filosofia do III Reich, e, no Mississipi, Bessie Smith morria de hemorragia diante de um hospital de brancos que se recusavam a tratá-la.
Intérprete Jacques Martial Cenografia Pierre Attrait Pintura Jérôme Boutterin Adereços Martine Feraud Desenho de luz Jean-Claude Myrtil Assistente de encenação Tim Greacen Assistente de cenografia Elisabeth Dallier
22h00 Qui 16
Língua Francês Legendado em português Duração 1h20 Classificação M12
Escola D. António da Costa – Almada Palco Grande
Co-produção: L’Artchipel – Scène Nationale de la Guadaloupe Apoio: CulturesFrance, Conseil Régional de la Guadeloupe, Ministère de la Culture de France, Ministère de l’Outremer, 10 Days on the Island