O texto de Hermann Broch dá a palavra a uma velha criada, Zerlina, para fazer ouvir a partir desse corpo ainda sem afectos amorosos activos, o nascimento do amor. Para além desse nascimento, ouve-se neste texto a paixão física, o ciúme e por fim o desejo de morte que dá tensão ao desejo desde a sua origem. O que é surpreendentemente perturbador na leitura do romance é que esta declaração seja feita «de passagem», entre duas portas, em sentido estrito, e por uma mulher velha. Tanto mais perturbador na ordem das nossas representações quanto o discurso vai aumentando progressivamente e se torna de tal modo preciso que é necessário fazer um esforço para imaginar semelhante intensidade do presente, dito por uma personagem que parece ter vivido essa paixão há tanto tempo. Robert Cantarella
Hermann Broch (1886-1951), romancista, dramaturgo e ensaísta austríaco, é autor de Os sonâmbulos e de muitas outras obras em que analisa as sociedades austríaca e alemã, para encontrar as razões da sua passividade perante a escalada do nazismo.
Robert Cantarella, director do Centquatre, encenador de autores modernos e clássicos (Sha-kespeare e Tchecov, entre outros), é também ensaísta (Pour une formation à la mise en scène, 1997) e romancista (Le chalet, 2004). É já conhecido do público do Festival de Almada, onde apresentou, em 2008, o espectáculo Hippolyte.
Thérèse Crémieux estudou em Paris, com Jacques Lecoq, e mais tarde, em Nova Iorque. Entre os EUA e França, tem representado textos de Tennessee Williams, Eurípides, Elisabeth Janvier, Luc Cendrier, Henry James e Jean-Paul Sartre. No cinema tem trabalhado com realizadores como Robert Altman, Frédéric Compain, Claude Lelouch, Laurent Heynemann, Jacques Demy e Olivier Schatzky.
Laurent P. Berger, estudou artes plásticas em Paris. Para além da participação em diversas exposições de artes plásticas, desde 2005 desenvolve projectos de arquitectura através da Berger&Berger. Paralelamente, tem realizado cenografias e desenhos de luz para projectos apresentados na Europa, América e Ásia. Em 2003 e em 2006, encontra os encenadores Robert Cantarella e Frédéric Fisbach, com os quais tem colaborado.