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TEATRO

Cabaret Hamlet...

William SHAKESPEARE
Encenação de Matthias Langhoff

  THÉÂTRE DIJON-BOURGOGNE - CDN
Dijon | FRANÇA 


Cabaret Hamlet...
Cabaret Hamlet . . .

Cabaret Hamlet...
Cabaret Hamlet . . .

Cabaret Hamlet...
Matthias Langhoff

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Este espectáculo podia chamar-se Hamlet – pois é a peça de William Shakespeare que veremos em cena –, mas o seu encenador Matthias Langhoff decidiu intitulá-lo En manteau rouge, le matin traverse la rosée qui sur son passage paraît du sang. Ou Ham. and ex by William Shakespeare. É evidente a homenagem que o criador alemão, nascido na Suíça em 1941 e hoje naturalizado francês, quis prestar a Heiner Müller e à sua inquietante reinvenção dos clássicos (e que ambos aprenderam com Bertolt Brecht). Aliás, o texto de Shakespeare chega-nos aqui de forma inesperada, iniciando- se pelas últimas falas. Mas este não é o único efeito de estranhamento. A ideia de inversão – de «organização do escândalo» («o teatro deve revelar o escandaloso e o obsceno que o mundo se esforça por esconder», afirmou Langhoff) – alimenta um olhar que desinstala permanentemente o espectador. Enquadrar uma peça que os românticos sacralizaram como tragédia num espaço cénico que recupera o cabaret expressionista de Berlim dos anos 20 e 30 – e no qual participa o próprio público, já que assiste ao espectáculo, sentado em volta de pequenas mesas de bar – é um achado desalienante só comparável à escolha de François Chattot, excelente actor sexagenário, para interpretar o protagonista (jogo irónico perpetuado na restante distribuição: veja-se o caso da actriz Emmanuelle Wion, que desempenha Gertrud, mãe de Hamlet, aparentando ter metade da idade de Chattot). As permanentes interrupções musicais a cargo de uma banda ao vivo, as canções interpretadas em coro, o jogo de entrada e saída nas personagens e o ambiente feérico de festa negra fazem deste Hamlet de Langhoff um espectáculo de puro génio.

Matthias Langhoff entrou muito jovem para o Berliner Ensemble, de que foi co-director em 1992-1993, trabalhando também na Volksbühne. Apresentou as suas criações de Berlim a Barcelona, de Paris a Avignon, de Moscovo ao Epidauro, na Grécia, mudando constantemente de palcos e de público (foi um dos principais encenadores da obra de Heiner Müller, de quem estreou várias peças). De concepções nem sempre consensuais, alia rigor e um humor expressionista herdado do primeiro Brecht, criando uma linguagem imediatamente reconhecível, na qual a inovação dramatúrgica se alia a um acerado olhar político e estético, que combate qualquer espécie de vulgaridade ou repetição de lugares-comuns. A apresentação em 2009, no Festival de Almada, de Dieu comme patient... de Lautréamont, com encenação de Matthias Langhoff, constituiu um dos momentos inesquecíveis da história do Festival de Almada.

François Chattot é um dos melhores actores franceses da actualidade. Estudou na Escola do Teatro Nacional de Estrasburgo (entre 1974 e 1977), trabalhou com grandes encenadores, como Jean-Louis Hourdin, Matthias Langhoff, Jean Jourdheuil, Jean-François Peyret e Jacques Nichet, em textos de primeira água, de autores tão diversos como Shakespeare (Rei Lear, também sob direcção de Matthias Langhoff), Thomas Mann, Rainer Werner Fassbinder, Bernard- Marie Koltès ou Valère Novarina. Foi actor da Comédie-Française, onde estreou A praça dos heróis, de Thomas Bernhard. Com uma sólida carreira cinematográfica, foi dirigido por grandes realizadores franceses – em Parlez-moi d’amour, de Sophie Marceau, por exemplo –, destacando-se o filme que acaba de protagonizar Les aventures extraordinaires d’Adèle Blanc-sec, de Luc Besson.

O público do Festival de Almada teve oportunidade de apreciar este excelente actor já por duas vezes: a primeira interpretando À espera de Godot, de Beckett, com encenação de Luc Bondy (2000), e, em 2003, com direcção de Jacques Nichet, em Combate de negro e cães, de Bernard-Marie Koltès.

Intérpretes Agnès Dewitte, Anatole Koama, Charlie Nelson, Delphine Zingg, Emmanuelle Wion, François Chattot, Frédéric Kunze, Gilles Geenen, Jean-Marc Stehlé, Marc Barnaud, Osvaldo Caló, Patricia Pottier, Patrick Buoncristiani, Philippe Marteau
Tobetobe-Orchestra Antoine Berjeaut Antoine Delavaud, Brice Martin, Jean-Christophe Marq Osvaldo Caló
Tradução Irène Bonnaud
Cenário Matthias Langhoff
Telões Catherine Rankl
Figurinos Arielle Chanty
Desenho de luz Frédéric Duplessier
Música Olivier Dejours
Coreografia Gladys Massenot
Assist. de encenação Hélène Bensoussan, Alexandre Plank


QUA 14 19H00
QUI 15 19H00


Língua Francês Legendado em português
Duração 4H30 (com intervalo)
Classificação M/ 12


Centro Cultural de Belém – Lisboa Grande Auditório

Co-produção: Odéon-Théâtre de l’Europe, Théâtre de artrouville-CDN, Théâtre National de Strasbourg, Espace Malraux-Chambéry


BILHETEIRA

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