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BILHETEIRA

“Ela”

Jean Genet
Encenação de Luis Miguel CINTRA

TEATRO
  Teatro Da Cornucópia Lisboa | Portugal 


“Ela”
“Ela”

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”Ela” é a história de uma fotografia oficial do Papa: um fotógrafo tenta em vão fazer o retrato de não importa que Papa, capaz de corresponder à imagem oficial do Papa. Dir-se-ia que a peça é outra versão da história do retrato de Inocêncio X por Velázquez. Ao que parece, Velázquez propôs a esse Papa pintar-lhe o retrato. O Papa, desconfiado, ter-lhe-á pedido uma prova do seu talento. O quadro que convenceu o Sumo Pontífice teria sido um lindíssimo retrato de Juan de Pareja, escravo do pintor. E Velázquez pintou o genial retrato de Inocêncio X, hoje na Galeria Doria Pamphili de Roma. Conta-se, no entanto, que a reacção do Papa, apesar de ter gostado do quadro, foi: “troppo vero!” (verdadeiro demais). Guardou o retrato mas não o aceitou como imagem do Papa. Bingo! Tocou no coração do problema. Antes da peça de Genet já o pintor Francis Bacon fizera cerca de 40 variações sobre o quadro de Velázquez. E a peça de Genet torna em teatro a mesma situação com todos os problemas ontológicos que levanta. Fazer um retrato é por definição a criação de uma imagem, mas implica uma relação com o real. Uma imagem oficial é o anti-retrato, pura abstracção, e, no caso do Papa, a imagem deveria ser puramente espiritual. Ser Papa é deixar de ser Eu e passar a ser a imagem universal da Igreja Católica. Pouco interessa a pessoa. Genet inventa um Papa que já não deseja ser nenhuma imagem, que já não tem verdade, e que nem a ser corpo tem direito quando em corpo se apresenta diante do fotógrafo. O Papa de Genet nem sequer é masculino, é “Ela”, sua Santidade, assexuado, uma representação do nada, um exemplo patético da desintegração do ser. Mais que um ataque à Igreja, a peça é um jogo filosófico e quase clownesco de gato e rato entre 3 figuras: um Papa, um fotógrafo e um guarda da imagem Pontifícia, o contínuo do Vaticano, que conhece a imagem de cor e que tem por função perpetuá-la. A distância que vai do homem à ideia de Papa cria uma vertigem, um vazio que desintegra o próprio fotógrafo, reduzindo-o também a nada.
Luis Miguel Cintra

Luis Miguel Cintra, formado pela Old Vic Theatre School, é uma das figuras centrais do teatro português contemporâneo. É director do Teatro da Cornucópia, fundado em 1973, onde se afirmou como actor e encenador em diversas peças. Recentemente, no Teatro Nacional D. Maria II, estreou em Portugal, com assinalável êxito, A cacatua verde, de Schnitzler.

Intérpretes Dinis Gomes, Luís Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, Ricardo Aibéo
Tradução Luis Miguel Cintra
Cenário e figurinos Cristina Reis
Desenho de luz Daniel Worm d’Assumpção


QUA 6, 21H30
QUI 7, 21H30
SEX 8, 21H30
SÁB 9, 21H30
DOM 10, 17H00
QUA 13, 21H30
QUI 14, 21H30
SEX 15, 21H30
SÁB 16, 21H30
DOM 17, 17H00


Língua Português
Duração 1H30
Classificação M/ 12


Teatro Da Cornucópia - Lisboa


Co-apresentação: Festival de Almada


BILHETEIRA