ÍON

Luis Miguel Cintra, homenageado na 31.ª edição do Festival, traz ao TMJB a sua mais recente criação: uma adaptação do Íon, raramente feita em Portugal, mas escolhida pelo encenador para integrar o ciclo comemorativo dos 40 anos do 25 de Abril organizado pelo São Luiz Teatro Municipal.
Íon é filho do deus Apolo e de Creusa, a princesa ateniense que, depois de o ter abandonado em criança, é incapaz de gerar com Xuto um filho que venha a assumir o trono. Na sua história descobre-se a figura do salvador da cidade que deve ressuscitar da decadência, bem como o atrito existente entre a pequena humanidade individual dos três protagonistas e o seu imenso destino político. A actualidade da leitura de Luis Miguel Cintra assenta na exploração deste confronto e na inclusão de um texto de Pasolini, e de materiais sonoros e cenográficos contemporâneos, como as cores da bandeira nacional e duas canções de Zeca Afonso.

Eurípides (c. 480 a.C. – 406 a.C.) é, juntamente com Ésquilo e Sófocles, um dos três principais tragediógrafos gregos do século V a.C.. Vítima frequente dos ataques dos autores cómicos e poucas vezes premiado nos concursos trágicos, Eurípides tornou-se, no entanto, o mais influente dos três, sendo admirado pelo carácter patético das suas tragédias e pela complexidade que imprime nas suas personagens. Da centena de peças que terá escrito, apenas 17 chegaram até nós, entre as quais se destacam Alceste, Andrómaca, As bacantes e Medeia.

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ENGLISH VERSION

Ion is the son of Apollo and the Athenian princess Creusa – who after exposing him as a newborn baby, has since been unable to bear an heir to Xuthu’s throne. Cintra’s staging establishes parallels between the themes of the tragedy and those of reality: individual humanity vs. political destiny – Ion’s, in particular, who is to save the city of Athens from its decadence.



Teatro da Cornucópia

Co-Produção: São Luiz Teatro Municipal