LA MOUETTE<br/><i>A gaivota</i>
Desde 2002 que Thomas Ostermeier não vinha ao Festival de Almada. Nestes últimos anos assistimos à sua aclamação internacional, nomeadamente em Avignon, onde foi artista associado em 2004 e aonde tem regressado quase anualmente desde essa data. Nos últimos anos tem sido notória no seu trabalho uma aproximação aos clássicos. Pondo de lado, no entanto, as encenações “museológicas”, Ostermeier não hesita, por exemplo, em colar os hipsters de Berlim ao Inimigo do povo, ou em colocar Ricardo III a falar para um microfone que é simultaneamente uma câmara de filmar. Mas não se confunda modernidade com pós-modernidade. Feroz opositor ao teatro pós-moderno e aos seus epígonos e teorizadores, Ostermeier baseia as suas criações nos actores. E nesta Gaivota não faltam alfinetadas aos defensores da chamada performance pós-dramática.

Thomas Ostermeier (n. 1968, Soltau) realiza as suas primeiras encenações, com assinalável estrondo, em 1996, na Baracke, um espaço gerido pelo Deutsche Theater. Em 1999 é nomeado director da Schaubühne, a mítica sala de Berlim que se encontrava à beira do naufrágio e que ele resgata para a primeira linha do teatro mundial. Em 2000 é-lhe atribuído o Prémio Europa – Novas Realidades Teatrais e em 2011 a Bienal de Veneza atribui-lhe o Leão de Ouro pelo conjunto da sua obra.
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ENGLISH VERSION

Thomas Ostermeier comes back to the Festival de Almada after an absence of 14 years. His staging of The Seagull departs from the creating capacity of the actors, in order to launch an attack against the post-dramatic theatre: the fruition of Tcheckov’s text is the best way to recall nowadays audiences of the capacity theatre still has to tell us stories.



Théâtre Vidy-Lausanne