HOUSEWIFE
Uma mulher – uma caricatura inspirada na dona de casa recatada dos anos 50 – está em casa à espera de que o marido chegue. Enquanto isso descasca uma batata, com a atenção obsessivamente centrada no tubérculo. Por companhia tem uma panóplia de electrodomésticos, novinhos em folha, que de um momento para o outro começam a entrar em diálogo consigo: não seremos nós, no fundo, possuídos pelos objectos que adquirimos? A solidão e o desamor são o pretexto para uma viagem ao subconsciente desta personagem. Morgane Choupay partilha a cena (recheada de mecanismos que fazem batedeiras e secadores de cabelo dar um concerto de câmara) com o duo Ployboy: duas eminências pardas entre o robot e o fantasma, remetendo para um universo lynchiano.

Esther Gerritsen (n. 1972, Nijmegen), romancista e dramaturga, é considerada um dos novos valores da literatura holandesa. Em 1999 recebeu o prémio para o teatro jovem, em Duisburgo, e em 2001 a bolsa de criação dramatúrgica Charlotte Köhler. Em 2005 o seu segundo romance, Normale dagen, recebe o prémio Dif/BGN. De Kleine miezerige Dieu (2008) e Superduif (2010) receberam igualmente numerosos prémios.
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ENGLISH VERSION

In Housewife, by the Dutch author Esther Gerritsen, a woman is alone, at home, waiting for her man to arrive. In the meanwhile she peels a potatoe, filing the emptiness of her existence while her newly bought house applinees give a concert, like a chamber orchestra. Maybe this housewife doesn’t love her man at all, but the cowboy from the TV commercials.



Théâtre National de Bruxelles

Co-produção: Gina and the Withemen