RAT
Quando em 2014 apresentámos cinco criadores do novíssimo teatro argentino, Juan Mako foi um dos muitos que não vieram até Almada – mas podia ter vindo, pela qualidade e pela premência do seu trabalho. De facto, em 2015, Mako venceu a Bienal para Jovens Artistas de Buenos Aires com Rat, uma farsa com laivos de teatro do absurdo que se serve do mecanismo do teatro dentro do teatro para denunciar a mercantilização da Arte. É o próprio encenador quem nos conta a história desta peça: quando uma editora lhe pediu 2.500€ para montar um texto de 1985 de um autor argentino (supomos que Copi), o jovem encenador e dramaturgo indignou-se com as “ratazanas” que vivem à custa do valor dos artistas. Rat cita sem citar a peça que Mako gostaria de ter feito e não fez, para não alimentar os ávidos roedores – mas o delírio, o inesperado e o ambiente nocturno em que decorre este ensaio, mesmo diante dos nossos olhos –, esses mantêm-se.

Juan Mako (n. 1984, Bueno Aires) está a terminar o curso de Encenação, tendo como professores Ricardo Bartís e Bernardo Cappa. Tem interpretado, como actor, textos de Sinisterra, Griselda Gambaro, Raymond Carver, entre outros. Como encenador dirigiu peças de Laura Correa, Javier Daulte e Manuel Láinez.
_____________________________________________

ENGLISH VERSION

Rat was written and directed by Juan Mako as a manifesto against the “rats” that feed themselves with the value generated by artists. When he understood he couldn’t pay the royalties to produce a play by an author he admired, Mako decided to recreate that text, and to evoke the spirit of that author against the “rats” that put business above Art.



Compañia OUTRA