O FEIO
Um inventor ao serviço de uma multi-nacional fica abalado com a notícia de que não será ele a deslocar-se ao próximo congresso para apresentar o seu mais recente invento. É demasiado feio, diz-lhe o patrão. Lette, assim se chama o protagonista desta parábola moderna, corre para a sua própria mulher, que lho confirma: é feio como a Morte. Acto contínuo, recorre-se à cirurgia plástica, e Lette recai nas graças da lógica empresarial da beleza. O pior é que o cirurgião que o opera gosta tanto do resultado que começa, em série, a criar duplos de Lette. No fundo, alega o médico, foi ele quem o criou. E não é preciso especular muito para adivinhar que, à medida que os sósias de Lette abundam, o seu valor comercial cai para níveis catastróficos – enquanto a sua mulher se entretém, confundida, indo para a cama com uma quantidade considerável de sósias do seu marido.

Toni Cafiero formou-se na escola Jacques Lecoq, em Paris, e na Academia de Belas-Artes de Bolonha, onde cursou Cenografia. Como encenador trabalhou em Espanha, França, Áustria, Estados Unidos, Croácia, Argélia, Portugal e Turquia. Na área da formação, foi professor convidado na RESAD de Madrid, no Instituto de Teatro de Barcelona, nos Conservatórios de Nantes, Montpellier e de Sète, na Escola Nacional de Chaillot, em Paris, e na New York University.
_____________________________________________

ENGLISH VERSION

In the modern parable The Ugly, a successful (ugly) scientist discovers (and suffers) the advantages and disadvantages of being beautiful. The German playwright Marius von Mayenburg tells us a dark and subtle story about appearances in the world of business. The Italian director Toni Cafiero works for the first time with Companhia de Teatro de Almada.



Companhia de Teatro de Almada